Usuários casuais perdem com frequência em plataformas de mercado preditivo, enquanto um pequeno grupo de operadores profissionais concentra a maior parte dos lucros. O caso de John Pederson, 33 anos, ilustra a dinâmica: após transformar cerca de US$ 2.000 em quase US$ 8.000 e depois em US$ 41.000 em negociações na Kalshi, ele perdeu tudo numa aposta sobre uma fala de celebridade e passou a viver em um abrigo em Detroit.
Quem perde e quem ganha
A Kalshi e a Polymarket se apresentam como alternativas para qualquer pessoa monetizar conhecimento sobre eventos futuros, mas dados analisados indicam forte desigualdade nos resultados. Na Polymarket, 67% dos lucros concentram-se em 0,1% das contas — menos de 2.000 contas acumularam quase meio bilhão de dólares, segundo o levantamento do Journal sobre 1,6 milhão de contas ativas desde novembro de 2022. Na Kalshi, há cerca de 2,9 usuários com prejuízo para cada usuário lucrativo, segundo dados da própria empresa.
O volume negociado nas duas plataformas subiu para US$ 24,2 bilhões em abril, contra US$ 1,8 bilhão um ano antes, segundo o The Block. Estudos e estatísticas internas mostram que mais de 70% dos usuários da Polymarket perdem dinheiro; o usuário típico perde entre US$ 1 e US$ 100, enquanto os 10% piores registram perdas médias em torno de US$ 4.000.
Como operam os profissionais
Profissionais e firmas especializadas pagam por grandes bases de dados, empregam algoritmos de previsão e usam infraestrutura capaz de ajustar preços e gerenciar riscos em milissegundos. Michael Boss, ex-jogador de pôquer, disse operar na Kalshi com até 60 transações por minuto e ajustar ofertas 30 vezes por segundo; ele reportou ganhos superiores a US$ 668 mil em poucos meses. Empresas do setor informam gastar mais de US$ 200 mil por ano em dados, inteligência artificial e infraestrutura. Grandes players como Susquehanna International Group e Jump Trading também atuam nesses mercados.
Tipos de aposta e dinâmica de preços
Os contratos costumam pagar US$ 1 se a previsão se confirmar, e o preço reflete a probabilidade estimada. Muitos usuários buscam lucros rápidos aproveitando pequenas variações, mas repetem erros clássicos de investidores individuais, baseando decisões em emoções ou informações superficiais. Mercados chamados de “mention markets” — em que se aposta se uma pessoa dirá uma palavra específica em público — tornaram-se especialmente voláteis e imprevisíveis. Nesses mercados, apostas com preço sinalizando 50% de chance se concretizam apenas 40% das vezes, segundo o jornal, indicando distorções nas probabilidades.
Regulação e riscos
Nos Estados Unidos, a Commodity Futures Trading Commission regula esses mercados, embora parte das operações ocorra offshore. Reguladores intensificaram a fiscalização diante de preocupações como uso de informação privilegiada. A Kalshi afirmou que muitos mercados financeiros exibem padrões semelhantes de concentração de ganhos e que a empresa não usa mais o anúncio “pagar meu aluguel”. A Polymarket não comentou a análise do Journal. A Dow Jones, editora do Wall Street Journal, mantém parceria de dados com a Polymarket; o Journal usou apenas dados públicos.
Imagem: Divulgação
A aposta de US$ 41 mil
Pederson havia obtido ganhos antes de arriscar os US$ 41.000 em uma aposta de “mention market” sobre se o rapper A$AP Rocky diria a palavra “rapper” durante um programa. A fala foi feita, mas cortada da versão transmitida, e as regras consideram apenas o que vai ao ar, resultando na perda total do valor apostado. Ele recebeu recentemente uma proposta de emprego e afirmou que prefere mercados mais regulados, embora tenha dito que poderia voltar a apostar no futuro.
O cenário descrito mostra que, apesar da promessa de democratização do acesso a pagamentos por previsões, a maior parte dos ganhos tende a se concentrar entre operadores com recursos e tecnologia superiores, enquanto usuários ocasionais enfrentam perdas significativas.
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6