Um estudo da UNIASSELVI empregou inteligência artificial e automação para consolidar projeções climáticas e avaliar possíveis efeitos de um chamado Super El Niño no Brasil. A pesquisa indica 97% de probabilidade de o fenômeno permanecer ativo até 2027 e 81% de chance de alcançar intensidade muito forte.

Quem fez e como

O trabalho foi realizado pelos acadêmicos de Engenharia de Software Fábio Henrique Moisés e Matheus Fernando Cunha, sob a orientação do professor Pedro Sidnei Zanchett. A investigação está vinculada à tese de doutorado RADIAN, de Zanchett, que desenvolve sistemas de apoio à decisão para gestão de desastres naturais com uso de IA generativa, computação em nuvem e automação.

Objetivo e método

A proposta não é gerar uma previsão original por meio de inteligência artificial, mas reunir e comparar projeções produzidas por centros meteorológicos nacionais e internacionais em uma única análise. Para isso, a equipe integrou dados de órgãos como NOAA, NASA, INPE, INMET, CEMADEN e IRI, com o objetivo de confrontar diferentes modelos climáticos e buscar padrões convergentes entre as projeções.

Segundo os autores, a ferramenta organiza milhares de informações já disponíveis, tornando-as mais acessíveis para apoiar decisões rápidas e fundamentadas. Moisés destacou que o desafio é conectar o conhecimento existente, em vez de produzir mais dados.

Principais conclusões e riscos

O estudo aponta cenário com alta probabilidade de continuidade do El Niño até 2027 e possibilidade expressiva de episódio muito intenso. Os impactos variam por região: Norte e Nordeste tendem a sofrer períodos mais secos; Centro-Oeste e parte do Sudeste podem enfrentar ondas de calor e redução de chuvas; e o Sul tem maior risco de chuvas intensas e enchentes.

Na agropecuária, os pesquisadores indicam riscos para culturas como arroz, trigo, soja, milho e café, além de aumento do estresse térmico em rebanhos. O trabalho também chama atenção para o potencial avanço das queimadas na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal, com consequente piora na qualidade do ar e aumento de problemas respiratórios e cardiovasculares associados a ondas de calor.

Pesquisadores da UNIASSELVI usam IA para antecipar impactos do El Niño no Brasil

Imagem: Divulgação

Cunha ressaltou que a pesquisa não substitui o monitoramento dos centros meteorológicos, mas organiza o consenso observado entre os principais modelos climáticos internacionais, oferecendo suporte para planejamento e resposta a eventos extremos.

O termo “Super El Niño” não corresponde a uma classificação técnica oficial; costuma ser usado para descrever episódios de intensidade muito elevada do fenômeno, resultantes do aquecimento anômalo das águas do Pacífico equatorial.

Os resultados apresentados dependem da qualidade das bases consultadas e poderão ser atualizados conforme a evolução das condições climáticas.

Com informações de Olhardigital