Uma pesquisa de 2025 realizada com dois mil adultos nos Estados Unidos indica que 78% das pessoas relatam perder o sono por causa de estresse financeiro, segundo dados divulgados por especialistas em sono e por empresas que desenvolveram soluções tecnológicas para esse problema.

O impacto é duplo: além do desgaste emocional, noites mal dormidas afetam a saúde e o desempenho profissional, podendo agravar dificuldades financeiras. Jennifer L. Martin, especialista em ciência do sono da Florida International University, afirma que a privação e a fragmentação do sono comprometem “todos os principais sistemas fisiológicos do corpo”, não se limitando à redução da energia diurna.

Como o estresse financeiro afeta o sono e o trabalho

Martin explica que preocupações com dinheiro geram um estado de alerta cognitivo noturno, com preocupação persistente e estresse que prejudicam tanto o início quanto a manutenção do sono. Esses distúrbios do sono tendem a provocar instabilidade emocional, enfraquecimento do sistema imunológico e queda no rendimento profissional.

Estudos citados no Journal of Clinical Sleep Medicine mostram que a privação de sono diminui a capacidade de tomar decisões complexas e de planejar a longo prazo, comprometendo o crescimento na carreira. Clinicamente, a falta de sono reduz a atenção sustentada e aumenta a probabilidade de erros em tarefas que exigem foco prolongado, além de provocar sinais visíveis como olhos vermelhos, bocejos constantes e olheiras.

Parcerias entre tecnologia do sono e serviços financeiros

Empresas buscam agora integrar soluções financeiras e de sono. A Sleep Cycle, plataforma de tecnologia do sono que usa inteligência artificial, monitora padrões de descanso por meio do microfone do celular, acorda o usuário no momento ideal do ciclo e fornece dados sobre a qualidade do sono. A fintech global Revolut oferece serviços para abrir contas, gerenciar recursos, fazer pagamentos e câmbio; clientes pagantes da Revolut recebem gratuitamente a assinatura premium da Sleep Cycle e acesso a uma IA que analisa como fatores de estresse afetam o sono ao longo do tempo.

Erik Jivmark, CEO da Sleep Cycle, afirma que “as finanças e o sono das pessoas estão muito mais conectados do que a maioria imagina” e que integrar ferramentas financeiras e de sono evita que o usuário precise escolher entre investir em bem-estar financeiro ou em qualidade do sono.

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Pesquisas associam má qualidade crônica do sono a depressão, ansiedade, burnout e acidentes de trabalho, e apontam que cerca de 12% dos adultos norte-americanos atingem o limiar clínico para insônia. Ainda assim, orientações simples — como manter horários regulares, reduzir exposição à luz durante a noite, controlar o estresse e utilizar recursos digitais — podem melhorar o sono de quem tem problemas leves.

Segundo Martin, melhorar a qualidade do sono fortalece habilidades cognitivas, traz mais estabilidade emocional e melhora o desempenho diurno, o que pode refletir em maior produtividade, decisões mais claras e, potencialmente, em uma melhor gestão financeira. Ela acrescenta que intervenções precoces, mesmo sem exames médicos, podem ajudar a interromper o ciclo de sono ruim e seus efeitos na qualidade de vida.

Com informações de Fastcompanybrasil