Pesquisadores elaboraram o primeiro mapa global das redes subterrâneas formadas por fungos micorrízicos arbusculares, e concluíram que a extensão total dessas estruturas é extraordinária: se todos os filamentos fossem alinhados um a um, alcançariam cerca de 110 quatrilhões de quilômetros, uma distância equivalente a aproximadamente 10% da largura da Via Láctea.

Esses fungos estabelecem associação com mais de 70% das plantas terrestres. Suas hifas — filamentos finos que se estendem pelo solo — transportam água e nutrientes para as raízes das plantas, recebendo em troca carbono produzido pela fotossíntese, conforme detalhado pela reportagem original.

Metodologia e alcance do estudo

Para montar o mapa, os autores reuniram dados de 16.669 amostras de solo compiladas em 322 estudos realizados em diferentes continentes e biomas. A partir dessas amostras, aplicaram modelos de inteligência artificial para estimar a distribuição das redes em áreas de até um quilômetro quadrado, levando em conta variáveis como clima, tipo de vegetação e características químicas do solo.

Onde as redes são mais densas

Os resultados apontam maior concentração de hifas em ecossistemas naturais de gramíneas preservadas. Ambientes alagados e campos de altitude também apresentaram densidades significativamente superiores às observadas em áreas agrícolas. Em média, os campos naturais registraram cerca de 6,6 metros de hifas por centímetro cúbico de solo.

Efeito da agricultura e implicações

O levantamento identificou diferenças marcantes entre solos preservados e terrenos cultivados: em áreas agrícolas, a densidade média das redes fúngicas ficou entre 47% e 50% menor que em ecossistemas naturais. Os pesquisadores relacionam essa redução a práticas de uso do solo, embora o estudo não tenha isolado quais fatores específicos são responsáveis pela maior perda.

Primeiro mapa global revela extensão gigantesca de redes fúngicas subterrâneas

Imagem: Ap

Os autores destacam que essas redes subterrâneas têm papel relevante no armazenamento de carbono, na saúde do solo e no funcionamento dos ecossistemas, o que reforça a importância de ambientes naturais para o equilíbrio climático.

O trabalho também aponta lacunas de amostragem em certas regiões do planeta, especialmente em desertos e em florestas tropicais; novas coletas devem diminuir as incertezas do mapa nos próximos anos e subsidiar pesquisas sobre resistência à seca, estoque de carbono e dinâmica dos ecossistemas terrestres.

Com informações de Olhardigital