O investidor macro global Ray Dalio afirma ter estudado 500 anos de história e vê indícios de que o mundo entrou no estágio que antecede o colapso de um padrão histórico que ele chama de “Grande Ciclo”. Segundo Dalio, esse ciclo tem duração média de cerca de 75 anos, com variação de aproximadamente 30 anos para mais ou para menos.
Dalio, que atua como investidor macro há mais de 50 anos, disse que a sequência de eventos atual se assemelha mais ao período turbulento anterior a 1945 do que ao período de relativa estabilidade pós-Segunda Guerra Mundial. Ele descreve seis estágios do Grande Ciclo no seu livro “Princípios para Lidar com a Nova Ordem Mundial”, apontando que o estágio 5 — o que, em sua avaliação, vivemos agora — precede o estágio 6, caracterizado pelo colapso e grande desordem.
Como Dalio descreve o estágio atual
O relato do investidor detalha que, ao estudar as ordens monetárias, políticas domésticas e geopolíticas ao longo dos últimos 500 anos, percebeu padrões recorrentes de ascensão, evolução e queda. Ele cita o período de grande desordem entre 1929 e 1945 como exemplo de como ordens antigas ruem e novas ordens são criadas, como ocorreu em 1945, quando os Estados Unidos emergiram como potência determinante do sistema internacional.
Dalio afirma que, historicamente, grandes ciclos de dívida e problemas monetários surgem quando o endividamento e os encargos sobre dívidas crescem em relação à renda, comprimindo consumo e investimento. Quando isso ocorre simultaneamente com elevado volume de ativos e passivos de dívida e déficits orçamentários que exigem emissões de títulos superiores à demanda, há pressão sobre o valor da dívida e das moedas.
Sinais do avanço rumo ao estágio 6
Ele destaca três sinais principais de progressão do estágio 5 em direção ao estágio 6:
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- Dívidas públicas altas e em rápida elevação, combinadas com conflitos geopolíticos que geram preocupações sobre a segurança das moedas fiduciárias, incentivando migração de posições para o ouro;
- Grandes desigualdades de renda e riqueza que alimentam a ascensão de populismos de direita e esquerda e divisões internas que resistem a compromissos e à resolução pelo Estado de Direito;
- Transição de uma ordem mundial com potência dominante e relativa paz para uma situação marcada por rivalidade entre grandes potências.
Dalio cita exemplos históricos de democracias que se tornaram autocracias na década de 1930 — Alemanha, Japão, Itália e Espanha — quando divergências profundas e perdas de confiança nas regras levaram à desordem. Observa também sinais contemporâneos, como dívidas e déficits elevados, desvalorizações de moedas fiduciárias lideradas pelo dólar e alta do preço do ouro; polarização política interna, exemplificada por termos como MAGA e WOKE nos Estados Unidos e conflitos urbanos com envio de tropas a cidades como Minneapolis; e a deterioração da ordem multilateral pós-1945, incluindo tensões envolvendo Groenlândia, Venezuela, Irã, China e Rússia e seus aliados.
Embora ressalte que nada esteja predestinado e que ainda exista a possibilidade de líderes agirem de forma a evitar confrontos, Dalio afirma não estar otimista. Ele conclui dizendo que espera que sua perspectiva sobre o Grande Ciclo ajude outras pessoas a se preparar para o que vem pela frente.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6