Jovens da Geração Z têm adotado dispositivos físicos projetados para dificultar o acesso automático a aplicativos de redes sociais, numa tentativa de reduzir o tempo de tela sem abrir mão totalmente do telefone.

O fenômeno, parte da chamada prática de “detox digital”, ganhou tração nas próprias redes sociais e se traduz em produtos que criam uma barreira extra entre o usuário e apps considerados mais viciantes. A proposta é melhorar aspectos como sono e concentração ao impedir o uso impulsivo do celular em momentos do dia.

Uma dessas empresas é a Bloom, fundada por dois estudantes universitários e criadora de um cartão de aço inoxidável lançado em 2024. O cartão Bloom, vendido por US$ 39, funciona com um aplicativo que permite escolher quais apps serão bloqueados e por quanto tempo. É possível configurar uma, duas ou três pausas de cinco minutos, nas quais os aplicativos bloqueados ficam disponíveis. Para ativar ou desativar o bloqueio o usuário encosta o cartão no aparelho.

Giancarlo Novelli, cofundador da Bloom e aluno do último ano na UCLA, afirmou à Fortune que o produto o ajudou a reduzir o uso do celular e a recuperar foco. Ele comparou o crescimento do uso de smartphones ao hábito de fumar no passado, observando que leva tempo para mudanças culturais ocorrerem:

“Nos anos 1900, todo mundo fumava cigarro, era normal, até surgirem estudos mostrando que fazia mal”, disse Novelli. “Leva tempo para essas coisas se ajustarem, e acho que com o uso do celular é muito parecido.”

Outra empresa do mercado, a Brick, comercializa um dispositivo similar que normalmente custa US$ 59. A advogada e influenciadora digital Kristian del Rosario, 28 anos, relatou à Fortune aumento de produtividade após usar o produto e disse ter publicado um vídeo sobre ele sem receber pagamento da empresa. Del Rosario destacou que a Brick cria uma barreira física maior do que o recurso Tempo de Uso do iPhone, que apenas exige uma senha para desbloquear apps.

TJ Driver, fundador da Brick, disse à revista que a intenção é transformar o hábito automático de “doomscrolling” em uma decisão deliberada, oferecendo um momento de reflexão antes de abrir um aplicativo. Segundo Del Rosario, os dispositivos também permitem manter mensagens ativas para trabalho e desligar o bloqueio durante pausas, além de ajudar a reorganizar rotinas noturnas.

Imagem: Ap

Especialistas e comentaristas têm apontado contradições: muitos compradores descobrem e divulgam os produtos nas próprias redes sociais, o que levou ao questionamento sobre a sinceridade de influenciadores que exibem esses dispositivos. O colunista Alex Kirshner, da Slate, afirmou que postagens assim podem parecer contraditórias com o objetivo anunciado.

Pesquisas também tentam entender os impactos das redes sociais: um estudo de 2025 da Universidade de Alberta observou que diversos trabalhos associam o uso de redes sociais a depressão e ansiedade, embora os efeitos variem conforme o padrão de uso de cada pessoa.

Novelli afirma que a questão central é o hábito automático de pegar o celular, e não as redes sociais em si, defendendo que elas podem ser úteis se reguladas adequadamente. A Bloom já vendeu, segundo ele, mais de 60 mil unidades e estuda ampliar suas funcionalidades para outros dispositivos, como laptops.

Com informações de Infomoney