Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central e fundador da Rio Bravo Investimentos, afirmou que a manutenção da taxa básica de juros em patamar elevado está ligada à situação das contas públicas. Em entrevista ao IstoÉ Dinheiro, ele ressaltou que, para reduzir a taxa Selic, o Executivo precisa ou ajustar a política fiscal e cortar despesas para diminuir o déficit, ou mudar a própria meta de inflação; caso contrário, o juros continuará sob forte pressão.

A meta formal de inflação permanece em 3% em 12 meses, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Em fevereiro, o índice acumulado em 12 meses recuou para abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024. Apesar disso, a última edição do Boletim Focus projeta que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechará 2026 em 4,10%, dentro do teto da meta, mas acima do centro.

Franco argumenta que a Selic elevada incorpora um prêmio adicional exigido pelos investidores diante de um grande déficit primário, o que causa desalinhamento entre a política fiscal e a meta de inflação determinada pelo governo. Segundo ele, esse descompasso obriga o Banco Central a manter a taxa em níveis mais altos para tornar atrativos os títulos do Tesouro.

O Comitê de Política Monetária (Copom), em sua última ata, sinalizou o início de uma trajetória de cortes de juros, com decisão esperada para “esta quarta-feira, 18”. A avaliação que sustenta essa sinalização é a desaceleração da inflação e sua volta para dentro do teto após meses em que a Selic esteve em 15% ao ano.

Conflito no Oriente Médio e impacto sobre a inflação

O cenário externo complica a decisão sobre os cortes. Desde ataques promovidos pelos Estados Unidos e Israel ao Irã, que deram início a um conflito regional, o preço do barril de petróleo subiu para acima de US$ 100, alcançando o maior nível desde a pandemia. Esse avanço nos custos de combustíveis e frete tende a pressionar a inflação no Brasil.

Imagem: Paulo Bareta

Na avaliação de Franco, o conflito ainda não apresenta intensidade suficiente para impedir o início do ciclo de cortes na Selic, embora possa alterar o ritmo dessas reduções. Economistas consultados têm indicado possibilidade de corte de 0,5 ou 0,25 ponto percentual.

Franco conclui que é provável o começo do ciclo de baixa na próxima reunião, mas que os desdobramentos do conflito no Oriente Médio serão determinantes para os passos subsequentes, sendo ainda cedo para prever o que ocorrerá depois.

Com informações de Borainvestir.b3