A Anthropic anunciou neste mês a criação de um modelo de inteligência artificial chamado Mythos que, segundo a própria empresa, é poderoso demais para ser disponibilizado amplamente. A companhia informou que identificou 11 parceiros — todos dos Estados Unidos — para colaborar no desenvolvimento de defesas, enquanto compartilhou o acesso ao Mythos apenas com o Reino Unido fora do território norte-americano.
O Mythos chamou atenção internacional ao ser descrito pela Anthropic como capaz de localizar e explorar vulnerabilidades ocultas em softwares que controlam bancos, redes elétricas e instituições governamentais. A divulgação provocou reações de líderes e autoridades financeiras, que passaram a avaliar riscos e a adaptar suas defesas.
O presidente do Banco da Inglaterra alertou publicamente sobre a possibilidade de o modelo ampliar substancialmente os riscos cibernéticos. Em paralelo, o Banco Central Europeu começou a sondar discretamente instituições financeiras sobre suas proteções, e o ministro das Finanças do Canadá fez comparações públicas do potencial impacto do Mythos com grandes interrupções estratégicas, como o bloqueio de rotas marítimas.
Para rivais dos Estados Unidos, incluindo China e Rússia, o surgimento do Mythos evidenciou as implicações de segurança de ficar atrás na corrida por IA. Veículos alinhados ao Kremlin chegaram a qualificar o modelo em termos extremos ao noticiar o caso.
Pesquisadores e economistas vinham alertando para a dimensão geopolítica que a liderança em modelos de IA pode conferir. Eduardo Levy Yeyati, ex-economista-chefe do Banco Central da Argentina e assessor no Banco Interamericano de Desenvolvimento, afirmou que o episódio serve como alerta para políticas públicas e reforça a necessidade de atenção governamental ao tema.
Dario Amodei, CEO da Anthropic, reuniu-se com autoridades da Casa Branca depois que membros do governo Trump levantaram preocupações sobre o potencial do novo modelo de causar grandes danos a sistemas computacionais. A empresa, sediada em San Francisco, disse ao The New York Times que mantém o acesso restrito por precaução.
A Anthropic declarou que já trabalha com mais de 40 organizações que sustentam infraestruturas críticas globais e citou 11 parceiros — incluindo Amazon, Apple e Microsoft — comprometidos a ajudar a desenvolver correções para vulnerabilidades identificadas pelo Mythos. A empresa informou ainda que recebeu pedidos de acesso de governos e empresas, mas considerou que esses grupos têm níveis distintos de capacidade técnica para avaliar com segurança um modelo tão avançado.
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A companhia afirmou esperar que outros atores lancem modelos com capacidades cibernéticas semelhantes em até 18 meses, o que estabelece um prazo limitado para que correções sejam implementadas. Além disso, a Anthropic investiga relatos de acesso não autorizado a uma versão do Mythos.
O Reino Unido, por meio de seu Instituto de Segurança em IA, foi o único país além dos EUA a testar o modelo e publicou uma avaliação independente confirmando que o Mythos pode executar ataques cibernéticos complexos além do alcance de modelos anteriores. A Comissão Europeia teve reuniões com a Anthropic, mas não obteve acesso por falta de acordo sobre as condições de compartilhamento. A presidente da agência de cibersegurança da Alemanha (BSI), Claudia Plattner, disse ter se reunido com representantes da empresa para obter informações, sem receber acesso direto ao modelo.
O caso expõe a ausência de mecanismos internacionais comparáveis a tratados de não proliferação ou inspeções compartilhadas para lidar com riscos de IA de alta capacidade, enquanto empresas e governos seguem buscando medidas para proteger infraestruturas críticas.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6