Emirates, LATAM e GOL lideram uma transformação silenciosa no mercado publicitário da aviação — e o modelo está mudando a forma como empresas de todos os setores pensam suas estratégias de comunicação
O orçamento de marketing da aviação comercial está sendo reescrito. Não por corte de custos — mas por inteligência estratégica.
Gigantes globais como Emirates, LATAM Airlines e GOL estão substituindo gradualmente os formatos tradicionais de mídia por algo que entrega mais alcance, mais conversão e menos gasto: parcerias com artistas, celebridades e criadores de conteúdo.
A lógica é simples. O resultado, milionário.

Por que o modelo antigo está perdendo espaço
O consumidor mudou. A atenção ficou mais cara e mais escassa. Banners ignorados, comerciais pulados, anúncios bloqueados — o formato interruptivo perdeu força em velocidade acelerada, especialmente entre a Geração Z e os Millennials, que respondem a recomendações de pessoas em quem confiam, não a marcas falando de si mesmas.
É nesse contexto que o marketing de influência deixou de ser um canal complementar para se tornar o pilar central das estratégias de comunicação das maiores companhias aéreas do mundo.
E os números justificam a migração: campanhas com influenciadores e celebridades geram um Retorno sobre o Investimento (ROI) significativamente superior ao de campanhas tradicionais — custando uma fração do orçamento de uma produção publicitária convencional.
Emirates: quando o comercial vira cinema
No segmento de luxo, a Emirates deu o tom do que é possível quando marca e celebridade se encontram no lugar certo.
A companhia transformou seus comerciais em produções cinematográficas ao colocar atrizes como Jennifer Aniston e Penélope Cruz para vivenciar a experiência de suas cabines de primeira classe. O resultado não foi apenas um vídeo bonito — foi conteúdo que se espalhou organicamente pelas redes sociais, gerando alcance global e validando o posicionamento premium da Emirates para milhões de potenciais passageiros de forma imediata.
A aspiração que uma estrela carrega consigo é impossível de comprar com mídia paga. Mas é possível emprestar — e a Emirates entendeu isso antes de quase todo mundo.
LATAM: entretenimento como estratégia de marca
Na América Latina, a LATAM Airlines foi além do embaixador tradicional e apostou em formatos de entretenimento digital como veículo de marca.
Em parceria com o Google, a companhia desenvolveu um game show exclusivo comandado pelo influenciador Gil do Vigor — unindo entretenimento, relevância cultural e alcance digital em um único formato. A marca também investe na presença em grandes festivais de música, como o Rock in Rio, levando dezenas de criadores de conteúdo de lifestyle para engajar a audiência jovem em tempo real.
O resultado é uma marca que não interrompe o entretenimento — ela é o entretenimento.
GOL: os embaixadores que já estavam dentro de casa
A GOL Linhas Aéreas encontrou uma das soluções mais criativas e autênticas do mercado: em vez de contratar influenciadores externos, a empresa olhou para dentro.
O programa GOL Creators transformou comissários e pilotos com forte presença digital em embaixadores oficiais da marca. A estratégia humanizou a empresa, gerou identificação genuína com o público e produziu conteúdo que nenhuma agência conseguiria fabricar — porque vinha de quem vive a experiência de verdade todos os dias.
Autenticidade não se compra. Mas às vezes ela já está no seu próprio time.
Wizz Air: viralidade sem orçamento milionário
Na Europa, a operadora de baixo custo Wizz Air provou que o marketing de influência não é exclusividade das grandes. A campanha viral #LetsGetLost levou influenciadores ao aeroporto com destinos surpresa — sem revelar para onde iriam antes do embarque.
O resultado: milhões de impressões orgânicas, engajamento massivo da Geração Z e uma conversa espontânea nas redes sociais que nenhuma campanha paga conseguiria replicar. Tudo isso sem os investimentos milionários de uma produção tradicional.
A ideia era simples. A execução, precisa. O retorno, desproporcional.
O que esse modelo ensina para qualquer negócio
A transformação que acontece na aviação comercial não é um fenômeno exclusivo do setor. É um sinal para empresas de todos os tamanhos e segmentos.
Especialistas do mercado são unânimes: o marketing de influência deixou de ser tendência para se tornar estrutura. A combinação entre o alcance de grandes celebridades e a hipersegmentação de microinfluenciadores permite que marcas vendam produtos, experiências e programas de fidelidade de forma muito mais orgânica, barata e eficiente do que qualquer campanha de mídia tradicional.
Os três pilares que explicam esse movimento são:
Confiança: o público confia em quem já acompanha. Uma recomendação de um criador que a pessoa segue diariamente vale mais do que um anúncio institucional.
Custo: campanhas com influenciadores entregam alcance comparável — ou superior — ao de campanhas tradicionais com uma fração do investimento.
Dados: diferente da mídia offline, o marketing de influência é 100% mensurável. Impressões, engajamento, cliques e conversões em tempo real.
Um caminho sem volta
Com consumidores cada vez mais resistentes a anúncios convencionais, a aviação comercial está mostrando ao mercado o que o futuro das vendas parece: a recomendação de quem as pessoas já confiam.
Não é sobre ter o maior orçamento. É sobre estar no lugar certo, com a voz certa, falando com quem realmente importa.
As companhias aéreas entenderam. A pergunta agora é: quais outros setores vão seguir o mesmo caminho?

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6