Criminosos cibernéticos têm explorado o início do período de entrega da declaração do Imposto de Renda 2026 para aplicar golpes digitais. As fraudes envolvem mensagens e sites falsos que se passam pela Receita Federal, por escritórios de contabilidade e por advogados, com o objetivo de obter dados pessoais, credenciais e recursos financeiros das vítimas.

O que está ocorrendo: Segundo especialistas, a técnica predominante é a engenharia social: golpes que se aproveitam da confiança e do comportamento das pessoas, e não de falhas nos sistemas bancários. Felipe Tambelini, diretor de Prevenção a Fraudes do Itaú Unibanco, afirma que os golpistas constroem narrativas convincentes para induzir usuários a fornecer informações ou realizar pagamentos.

Uma campanha detectada pela Kaspersky foi descrita por Fabio Assolini, diretor da Equipe Global de Pesquisa e Análise: contribuintes receberam e-mails falsos da Receita alertando sobre uma suposta pendência no IR. As mensagens pressionavam o destinatário a pagar R$ 288,86 por Pix ou boleto, alegando que a quitação evitaria a inclusão do CPF/CNPJ na Dívida Ativa da União, com prazo de apenas dois dias úteis para o pagamento. A Kaspersky já bloqueou 11 sites que imitavam o portal gov.br usando a isca “IR 2026”.

Uso de inteligência artificial nos golpes

A TIVIT, provedora de serviços de tecnologia, alerta que a inteligência artificial tem ampliado a sofisticação e a escala das fraudes em 2026. Jefferson Andrade, gerente de Segurança da Informação e Privacidade, explica que a IA é empregada em várias etapas dos ataques para dar verossimilhança às mensagens e automatizar ações.

Os métodos relatados incluem:

  • Golpe da malha fina e pendências fictícias: IA gera portais e mensagens que simulam notificações oficiais, levando a vítima a entregar credenciais do gov.br.
  • Golpe da notícia falsa e taxas inexistentes: Deepfakes e conteúdo personalizado são usados para criar a sensação de urgência sobre supostas dívidas ou atualizações cadastrais.
  • Golpe do DARF ou boleto adulterado: IA produz guias de pagamento visualmente idênticas às oficiais, mas com códigos que desviam o valor para contas de terceiros.
  • Golpe do suporte técnico e atualização de conta: Chatbots baseados em IA se passam por atendimento oficial para capturar códigos de autenticação e sequestrar contas gov.br.
  • Golpe do falso escritório: Perfis e documentos jurídicos falsos, gerados com IA, têm sido usados para obter documentos sensíveis e cobrar honorários antecipados.

Canais oficiais e recomendações

A Receita Federal disponibiliza canais seguros para a declaração: o programa IRPF, que pode ser baixado no site oficial; a opção de declarar online pelo site “Meu Imposto de Renda”, que exige conta gov.br com nível prata; e o aplicativo oficial Meu Imposto de Renda, disponível na App Store e no Google Play. A elevação da conta gov.br ao nível ouro e a ativação da autenticação em dois fatores no celular são recomendadas para aumentar a segurança.

Imagem: Divulgação

Entre as orientações práticas estão: desconfiar de mensagens com links ou cobrança de taxas (a Receita não solicita dados ou pagamentos por e-mail, SMS ou WhatsApp); digitar o endereço dos sites oficiais em vez de clicar em links; confirmar a autenticidade de DARFs e boletos antes de pagar; validar a identidade de novos contatos por canais previamente conhecidos; ativar notificações bancárias; e manter softwares de segurança atualizados.

Em caso de golpe, as recomendações são contatar imediatamente o banco para bloquear operações, registrar boletim de ocorrência — preferencialmente em delegacia especializada em crimes cibernéticos — e alterar senhas de e-mail, aplicativos bancários e da conta gov.br.

Com informações de Infomoney