Uma cena comum no Pantanal — capivaras repousando próximas a jacarés — pode ser explicada por mecanismos biológicos relacionados à termorregulação, economia de energia e estratégias de sobrevivência, segundo estudo da Rewilding Argentina.
Quem e onde
Pesquisadores da Rewilding Argentina observaram que, em ambientes selvagens como o Pantanal, grandes roedores e répteis predadores frequentemente dividem espaços abertos durante o dia, sem que isso leve a ataques imediatos ou confrontos recorrentes.
O que os une
O trabalho aponta que a necessidade de absorver calor solar é um fator determinante: tanto capivaras quanto jacarés ocupam áreas ensolaradas para elevar a temperatura corporal e regular funções metabólicas. Para os répteis ectotérmicos, como os jacarés, o aquecimento externo é essencial para manter o sistema digestivo e outras atividades internas.
Como a termorregulação afeta o comportamento
Durante o banho de sol, o metabolismo dos jacarés desacelera, levando-os a um estado de letargia que reduz a propensão a caçar. Nessa condição, o réptil prioriza a absorção de radiação em vez de gastar energia em perseguições. As capivaras, por sua vez, permanecem atentas ao comportamento do predador e costumam manter distância segura, aproveitando a segurança proporcionada pelo grupo.
Custo energético de um ataque
O estudo destaca que tentar capturar uma capivara adulta exige do jacaré uma explosão muscular intensa, que provoca rápida acumulação de ácido lático e esgota reservas de oxigênio. A recuperação desse esforço pode durar até 24 horas, período em que o réptil fica mais vulnerável a outros predadores, como a onça-pintada. Por isso, atacar uma presa grande muitas vezes não compensa energeticamente para o jacaré.
Imagem: Ap
Vigilância e exceções
Embora pareçam relaxadas, as capivaras mantêm uma vigilância constante e reagem rapidamente a movimentos bruscos do jacaré. Se o réptil entra na água de maneira silenciosa, o bando costuma buscar locais mais rasos ou margens para se proteger. Em situações de escassez alimentar, como seca ou redução de peixes, a trégua pode ser rompida: jacarés podem tentar capturar filhotes de capivara, presa mais acessível. Em ecossistemas equilibrados, entretanto, a disponibilidade de peixes e aves ajuda a manter a tolerância entre as duas espécies.
Essa explicação combina observações comportamentais e princípios de fisiologia térmica para entender por que a convivência pacífica entre capivaras e jacarés é relativamente frequente em áreas abertas.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6